sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Dois Poemas dois Alcobacenses


Obras de mau gosto

Quem vier a Alcobaça
E passar pelo Rossio
Vê lá tamanha desgraça
Como nunca ninguém viu

Esta critica lhe faço
Usando os meus direitos,
Por ver tão nobre espaço
Obra com tantos defeitos.

P`las obras, no seu conjunto,
A Câmara é responsável…
É pena não terem junto
O útil ao agradável

Por mais emendas que se façam
Jamais vão ficar perfeitas,
Dias e meses se passam
E as obras sem estarem feitas.

Obras sem pés nem cabeça…
Que causam desolação…
Não sei porquê tanta pressa
P`rá sua inauguração.

Fazem um ano em Agosto
Que foram inauguradas,
Estas obras de mau gosto…
Sem estarem acabadas.

Cortou a fita o Sapinho,
Sem piedade nem dó…
Como quem limpa o rabinho
Antes de fazer cocó.
Por falta de sensatez
E competência também
O que no Rossio se fez
Não dignifica ninguém.


As obras deviam ser
Para encantar o turismo…
O que vejo acontecer
Foi acto de vandalismo.


Porque te tratam assim?
Alcobaça, meu amor!
Destruíram teu jardim
Não se vê lá uma flor


Porque foi que aprovaram
O que no Rossio se fez?
Que nem sequer respeitaram
D. Pedro e D. Inês!


P`las obras, no seu conjunto,
A Câmara é responsável…
É pena não terem junto
O útil ao agradável

Por mais emendas que se façam
Jamais vão ficar perfeitas,
Dias e meses se passam
E as obras sem estarem feitas.

Obras sem pés nem cabeça…
Que causam desolação…
Não sei porquê tanta pressa
P`rá sua inauguração.

Fazem um ano em Agosto
Que foram inauguradas,
Estas obras de mau gosto…
Sem estarem acabadas.

Cortou a fita o Sapinho,
Sem piedade nem dó…
Como quem limpa o rabinho
Antes de fazer cocó.

Autarcas e arquitectos
Que se esquecem de quem herda,
Executam maus projectos…
P`ra deixarem a seus netos
Uma cidade de m……….!

Porque és Terra de Paixão,
Eu por ti me aproximei…
Como sinto ter razão,
Só morto…. Me calarei!

22 Maio 2006 - Júlio Cipriano de Figueiredo


Poesia recitada por Manoel Sanches, na noite da sua festa artistica, em 24 de Agosto de 1902 no Theatro Alcobacense.

Senhores! Perdoae a audácia, a ousadia
De eu vir talvez manchar o brilho, esta magia
De um conjunto tão bello, erguendo a minha falla
Na profunda mudez de tão distincta sala.
Perdoae (vos peço ainda) o arrojo que ides ver
No assumpto capital que vou desenvolver
Aqui, perante vós. Se a nossa complacencia
Eu não soubesse certa, e, em minha consciencia,
Não visse d`ante-mão amigo acolhimento,
- tão proprio onde ha bondade e onde ha, tambem, talento! –
Senhores podereis crer que eu não viria, certo,
Pôr uma nuvem triste assim, n´um céo aberto,
Aqui, aonde vós, gentis espectadoras,
As graças de que Deus vos fez possuidoras,
Vibram reflexos d´ouro e riscos de crystal,
N´um concerto magnifico, excelso, divinal !

A Arte, eis o assumpto, o thema que escolhi
Para vir occupar-me, em tal momento, aqui.
A Arte !... É que mais bello, ou que melhor assumpto,
Que sublime thema – eu mesmo a mim pergunto –
Póde alguem preferir, alguem que se apresente
Perante um auditorio assim, tem eminente,
Tão illustrado e culto? ! eu creio que nenhum,
E, d´entre todos vós, não apenas um,
Um só espectador, capaz de desdizer-me,
- D`isso, ousadamente, eu quero convencer-me !

A Arte !... O que é que ao barro, á pedra tosca imprime
A forma peregrina, essa expressão sublime,
Que nos attrae e encanta, e faz que descream os
Da essencia do que nós ás vezes admiramos ? !
Quem o madeiro informe, ás selvas arrancado,
Por mão cruel e rude, a golpes de machado,
Desnuda, eguala, educa, e tal feitio lhe dá,
Que, se o virmos depois, não há ninguem que vá
Dizer: - Isto é um lenho, eu vi-o, apalpei-o,
Em affirmal-o, pois, não tenho algum receio ? !
Um lindo pôr-do-sol, o abrir d´um a alvorada
Do campo o verdejar e alvura d´uma estrada;
As arvores quebrando ao peso dos seus fructos,
E o milho a espreguiçar os seus viris corutos;
Um rebanho de gado, uma scena da aldeia,
A` quente luz do sol, á luz d`uma candeia,
- Quem nos conta melhor, quem, tão nitidamente,
Descreve, narra e mostra a Natureza á gente ? !

Quantos nomes sulcando os seculos sem fim,
Na gloria universal no altivo bergantim,
Aureolados de luz, soberbos d`esplendor,
Sempre com maior brilho e com maior fulgor,
Só porque a uma téla, a uma estatua só,
Immorredouramente, a Arte os vinculou ? !

Senhores! Dentro em breve, eu vou esperançado,
Confiar o meu prestino, humilde e minguado,
Ao honroso dispor da Arte em que o Thalma
E tantos nomes mais têm conquistado a palma
Da gloria e da fama, a mais altisonante.
Pobre recruta, embora, incerto titubeante,
Há de ser para mim ventura sem egual
Ouvir sobre a cabeça a agua baptismal
D`essa religião que aqui um templo tem.
É pesado o mister, difícil, sei-o bem;
Comtudo, se não tenho, a dar-me confiança,
O meu proprio valor, não é sem esperança,
Desanimado e triste, assim como um vencido,
Que eu o vou abraçar. Talvez saia mal-f´rido
Da cruzada a que vou metter-me, ousadamente;
Porém, aqui vos juro: o esforço mais ingente,
Dedicado e maior, de que eu seja capaz,
Nem um momento só, o instante mais fugaz,
Deixará de ficar, na lucta, em pé de guerra,
- Sim ! por amor de mim, sim ! pela minha terra.

E. d`Araujo

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