sábado, 28 de fevereiro de 2009

Igreja da Misericórdia de Alcobaça


Implantação destacada no centro histórico da vila, fazendo gaveto de duas ruas com acentuado declive, dando-lhe acesso escadaria de pedra de 1 lanço protegida por gradeamento metálico.
Planta poligonal, composta por igreja de nave única, capela-mor, 2 capelas laterais e edifício da Misericórdia a S.. Cobertura diferenciada com telhados de 2 águas. Fachadas rebocadas a branco com cunhais apilastrados, encimados por pináculos e percorridos por lambril de azulejos azuis e brancos, na igreja, e embasamento de cantaria, na Misericórdia. Frontespício da igreja virado a E. e terminado em frontão triangular com tímpano aberto por óculo circular, encimado por cruz de pedra sobre soco. Portal de arco de volta perfeita ladeado por duas colunas de fuste liso sobre alto plinto, que sustentam cornija de moldura saliente, com dois pequenos óculos, interligando a janela superior de verga abatida e exterior recortado. Na fachada lateral N. abre-se na nave portal de verga recta e cornija saliente encimada por janela gradeada também de cornija saliente.

Edifício da Misericórdia a S., de 2 pisos, separados por friso, tendo no 1º portas de verga simples encimadas por janelas de sacada com gradeamento de ferro. No cunhal junto à igreja, sineira sineira de vão pleno e recorte ondulado encimado por cruz. No INTERIOR, nave de pavimento lajeado e cobertura em falsa abóbada de lunetas, sobre cornija de cantaria, percorrida por teia de balaústres de madeira; coro-alto apoiado em 4 colunas lisas, 2 delas embebidas nos muros laterais do templo; colateralmente portas de verga recta com cornija encimada por motivo decorativo. Arco triunfal de volta perfeita e chave relevada sobre pilastras, encimado por cartela quadrilobada e ladeado por retábulos de talha polícroma. Capela-mor revestida a azulejos azuis e brancos, organizados em dois níveis: no lado do Evangelho figuram, no 1º nível um frade eremita meditando frente a Satanás e uma outra figura dando ao meditante um cesto suspenso de uma corda e no 2º nível a "Anunciação"; no lado da Epístola, 2 frades eremitas e a "Anunciação". Retábulo-mor com talha polícroma marmoreada de frontão interrompido onde pousam 2 anjos laterais.


1520 - Lançamento da 1ª pedra da Igreja da Misericórdia; Séc. 17, meados - colocação de azulejos no exterior; 1719 / 1720 - Construção do patim na fachada principal; séc. 18 - colocação dos azulejos da capela-mor e retábulo-mor; 1911 / 1939 - Numa das dependências da Igreja (1º andar) funcionou a Conservatória do Registo Civil. Arquitectura religiosa meneirista, barroca e rococó. Igreja da Misericórdia de traça maneirista de planta longitudinal e nave única, com fachada principal em frontão triangular e portal axial de arco pleno arquitravado sobre colunas. Na capela-mor paredes forradas com azulejos figurativos barrocos, do ciclo dos mestres, e retábulo-mor de talha polícroma rococó.

Igreja de linhas simples com vãos laterais e axiais de diferente modinatura, possivelmente fruto de remodelações, mais notórias no janelão e empena do frontespício e abóbada do interior. Retábulos revivalistas.

O edifício da misericórdia caracteriza-se igualmente pela simplicidade de linhas, com vãos regularmente sobrepostos.


Coordenadas GPS: N39 33.019 W8 58.817

Igreja da Conceição

Planta longitudinal, composta por 2 rectângulos desiguais, a nave e a capela-mor, a que se adossa o rectângulo da sacristia. Volumes articulados com cobertura diferenciada em telhado de 2 águas no corpo da nave e cabeceira, de 1 água na sacristia. Fachada principal virada a S., enquadrada por pilastras nos cunhais com remates nos acrotérios, acima de uma sanca que rodeia toda a nave; frontão triangular na empena, rasgada por óculo de moldura barroca; portal de verga contracurvada com frontão em arco conopial, com ornato de volutas no tímpano, rasga o alçado principal.

No interior a nave única coberta por falsa abóbada de berço revestida a madeira, assente em sanca de madeira, abre para a capela-mor, mais baixa e rematada por abóbada idêntica, por arco triunfal de arco pleno, com pilastras laterais e capitéis de ábacos salientes. Coro-alto em madeira marmoreada e ferro sobre o guarda-vento da porta principal, escada helicoidal em ferro, púlpito sem balaustrada. 2 janelas rasgam-se no 2º registo da nave, uma porta axial do lado da Epístola, 1 janela de cada lado da capela-mor.



Na nave dois altares colaterais em cantaria com nichos coroados por frontões curvos, enquadrados por volutas. No retábulo do altar-mor, em talha dourada, encaixam-se 4 pequenos painéis pintados, com motivos marianos, dos 2 lados de uma tribuna com a imagem de Nossa Senhora da Conceição. Na nave dois altares colaterais em cantaria com nichos coroados por frontões curvos, enquadrados por volutas, albergando as imagens de Santa Luzia e Santo António.


1648 - construção do actual templo, no local do primitivo recolhimento dos monges cistercienses, que datava de 1152, conhecido como capela de Santa Maria a Velha. O Colégio da Conceição funcionou nesta capela até meados do séc. 18, data em que passou para a ala esquerda do MosteiroArquitectura religiosa, maneirista, barroca. Capela de nave única e cabeceira, cobertas por falsa abóbada de madeira. Volumetria e espacialidade maneiristas, tratamento barroco do portal principal. Foi construída de 1149 a 1150 pelos frades que vieram de Claraval e em recolhimento anexo se abrigavam enquanto se construía o Mosteiro. Primeiro Abade Rolandus.

1º nome Santa Maria de Alcobaça
2º nome Santa Maria a Velha
3º nome Igreja da Conceição em 1640.


Coordenadas GPS: N39 33.060 W8 58.697

As hipóteses da etimologia da palavra Alcobaça

Helcobatiae – Romana
Al – cobaxa – Árabe
Halcabats – Hebreu
Alchibazeos – Grego
Alcoa+Baça – 2 rios

Escritores da Abadia de Alcobaça

Frei Bernardo de Brito “Crónica de Cister e Monarquia Lusitana”
Frei Manuel dos Santos “Alcobaça Ilustrada e Alcobaça Vindicada”
Frei Afonso Cruz
Frei António Soares d`Albergaria
Frei Arsénio da Paixão
Frei Bernardino da Silva
Frei Bernardo de Castelo Branco
Frei Diogo de Castilho
Frei Fradique Espinola
Frei Francisco Machado
Frei Francisco Robalo
Frei Gabriel Almeida
Frei Gonçalo da Silva
Frei João Claro
Frei João Caldeira
Frei José Loureiro
Frei Manuel Rocha
Frei Manuel Figueiredo
Frei Nicolau Vieira

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Dois Poemas dois Alcobacenses


Obras de mau gosto

Quem vier a Alcobaça
E passar pelo Rossio
Vê lá tamanha desgraça
Como nunca ninguém viu

Esta critica lhe faço
Usando os meus direitos,
Por ver tão nobre espaço
Obra com tantos defeitos.

P`las obras, no seu conjunto,
A Câmara é responsável…
É pena não terem junto
O útil ao agradável

Por mais emendas que se façam
Jamais vão ficar perfeitas,
Dias e meses se passam
E as obras sem estarem feitas.

Obras sem pés nem cabeça…
Que causam desolação…
Não sei porquê tanta pressa
P`rá sua inauguração.

Fazem um ano em Agosto
Que foram inauguradas,
Estas obras de mau gosto…
Sem estarem acabadas.

Cortou a fita o Sapinho,
Sem piedade nem dó…
Como quem limpa o rabinho
Antes de fazer cocó.
Por falta de sensatez
E competência também
O que no Rossio se fez
Não dignifica ninguém.


As obras deviam ser
Para encantar o turismo…
O que vejo acontecer
Foi acto de vandalismo.


Porque te tratam assim?
Alcobaça, meu amor!
Destruíram teu jardim
Não se vê lá uma flor


Porque foi que aprovaram
O que no Rossio se fez?
Que nem sequer respeitaram
D. Pedro e D. Inês!


P`las obras, no seu conjunto,
A Câmara é responsável…
É pena não terem junto
O útil ao agradável

Por mais emendas que se façam
Jamais vão ficar perfeitas,
Dias e meses se passam
E as obras sem estarem feitas.

Obras sem pés nem cabeça…
Que causam desolação…
Não sei porquê tanta pressa
P`rá sua inauguração.

Fazem um ano em Agosto
Que foram inauguradas,
Estas obras de mau gosto…
Sem estarem acabadas.

Cortou a fita o Sapinho,
Sem piedade nem dó…
Como quem limpa o rabinho
Antes de fazer cocó.

Autarcas e arquitectos
Que se esquecem de quem herda,
Executam maus projectos…
P`ra deixarem a seus netos
Uma cidade de m……….!

Porque és Terra de Paixão,
Eu por ti me aproximei…
Como sinto ter razão,
Só morto…. Me calarei!

22 Maio 2006 - Júlio Cipriano de Figueiredo


Poesia recitada por Manoel Sanches, na noite da sua festa artistica, em 24 de Agosto de 1902 no Theatro Alcobacense.

Senhores! Perdoae a audácia, a ousadia
De eu vir talvez manchar o brilho, esta magia
De um conjunto tão bello, erguendo a minha falla
Na profunda mudez de tão distincta sala.
Perdoae (vos peço ainda) o arrojo que ides ver
No assumpto capital que vou desenvolver
Aqui, perante vós. Se a nossa complacencia
Eu não soubesse certa, e, em minha consciencia,
Não visse d`ante-mão amigo acolhimento,
- tão proprio onde ha bondade e onde ha, tambem, talento! –
Senhores podereis crer que eu não viria, certo,
Pôr uma nuvem triste assim, n´um céo aberto,
Aqui, aonde vós, gentis espectadoras,
As graças de que Deus vos fez possuidoras,
Vibram reflexos d´ouro e riscos de crystal,
N´um concerto magnifico, excelso, divinal !

A Arte, eis o assumpto, o thema que escolhi
Para vir occupar-me, em tal momento, aqui.
A Arte !... É que mais bello, ou que melhor assumpto,
Que sublime thema – eu mesmo a mim pergunto –
Póde alguem preferir, alguem que se apresente
Perante um auditorio assim, tem eminente,
Tão illustrado e culto? ! eu creio que nenhum,
E, d´entre todos vós, não apenas um,
Um só espectador, capaz de desdizer-me,
- D`isso, ousadamente, eu quero convencer-me !

A Arte !... O que é que ao barro, á pedra tosca imprime
A forma peregrina, essa expressão sublime,
Que nos attrae e encanta, e faz que descream os
Da essencia do que nós ás vezes admiramos ? !
Quem o madeiro informe, ás selvas arrancado,
Por mão cruel e rude, a golpes de machado,
Desnuda, eguala, educa, e tal feitio lhe dá,
Que, se o virmos depois, não há ninguem que vá
Dizer: - Isto é um lenho, eu vi-o, apalpei-o,
Em affirmal-o, pois, não tenho algum receio ? !
Um lindo pôr-do-sol, o abrir d´um a alvorada
Do campo o verdejar e alvura d´uma estrada;
As arvores quebrando ao peso dos seus fructos,
E o milho a espreguiçar os seus viris corutos;
Um rebanho de gado, uma scena da aldeia,
A` quente luz do sol, á luz d`uma candeia,
- Quem nos conta melhor, quem, tão nitidamente,
Descreve, narra e mostra a Natureza á gente ? !

Quantos nomes sulcando os seculos sem fim,
Na gloria universal no altivo bergantim,
Aureolados de luz, soberbos d`esplendor,
Sempre com maior brilho e com maior fulgor,
Só porque a uma téla, a uma estatua só,
Immorredouramente, a Arte os vinculou ? !

Senhores! Dentro em breve, eu vou esperançado,
Confiar o meu prestino, humilde e minguado,
Ao honroso dispor da Arte em que o Thalma
E tantos nomes mais têm conquistado a palma
Da gloria e da fama, a mais altisonante.
Pobre recruta, embora, incerto titubeante,
Há de ser para mim ventura sem egual
Ouvir sobre a cabeça a agua baptismal
D`essa religião que aqui um templo tem.
É pesado o mister, difícil, sei-o bem;
Comtudo, se não tenho, a dar-me confiança,
O meu proprio valor, não é sem esperança,
Desanimado e triste, assim como um vencido,
Que eu o vou abraçar. Talvez saia mal-f´rido
Da cruzada a que vou metter-me, ousadamente;
Porém, aqui vos juro: o esforço mais ingente,
Dedicado e maior, de que eu seja capaz,
Nem um momento só, o instante mais fugaz,
Deixará de ficar, na lucta, em pé de guerra,
- Sim ! por amor de mim, sim ! pela minha terra.

E. d`Araujo

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Pedra da Era

Aos poucos tenho feito o levantamento fotográfico das placas de identificação existentes nas casas de construção em alvenaria de pedra na região.
Era aplicada por cima da porta da entrada principal da casa.
Era na adjudicação da cantaria para a casa, que se escolhia o modelo da pedra e os dados a aplicar.
As mais simples têm as iniciais do homem e mulher e data do ano da construção ou habitabilidade.
A beleza instala-se na diversidade das formas, tamanhos e desenhos.
Existem algumas tão trabalhadas que não percebo como investiram numa pedra tão bonita e depois não tiveram a paciência e o gosto de as embelezar. 
Não deixa de ser interessante reparar que as pintadas pelos proprietários dá-lhes o realce adicional ao relevo desenhos letras e números.
Actualmente existem muitas em que os actuais proprietários "herdeiros" não se preocuparam e ao caiarem/pintarem a casa, a placa levava o mesmo tratamento.
Estas placas encontram-se em vários lugares na Serra dos Candeeiros "concelhos de Porto de Mós, Alcobaça e Rio Maior" e numa faixa paralela e sempre muito próxima desta entre os Porto de Mós, Benedita e Alcobertas existem também umas aldeias um pouco mais para o interior e já no concelho das Caldas da Rainha.
Algumas das muitas que tenho fotografadas


Acipreste

Aljubarrota

Alpedriz

Arrabal

Ataija Baixo

Ataija Baixo

Ataija Baixo

Ataija Baixo

Ataija Cima

Ataija Cima
Baldio

Baldio

Bezerra

Bezerra

Carrascal

Carvalhal

Carvalhal

Casal do Rei

Casal do Rei

Casal do Rei
Casal de Vale Ventos

Covões

Lagoa do Cão

Lameira

Moleanos

Moleanos

Portela Vale Espinho

São Clemente

São Clemente

São Clemente

São Clemente

Tremoceira

Zambujeira Zambujeira

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Ataíja de Cima

Na festa da Nossa Senhora da Graça no dia 2 de Fevereiro, realiza-se a procissão que sai da Capela, e sobe até ao cruzeiro que fica a meia encosta na Serra dos Candeeiros.
No cruzeiro o padre com um bom campo de visão, dá a missa e faz a bênção aos olivais, para que a colheita seja abundante.
Esta procissão cada vez mais tem só a haver com a tradição.
Olhando do cruzeiro facilmente nos apercebemos dos poucos olivais existentes.



Capela Nossa Senhora da Graça

Nossa Senhora da Graça



Cruzeiro



Coordenadas GPS: N39 33.298 W8 54.044
Capela Nossa Senhora da Graça

Coordenadas GPS: N39 32.573 W8 52.990
Cruzeiro